Doula Yasmin Sisan destaca a importância da informação, do acolhimento e do empoderamento feminino no cuidado com a gestação e o parto.
O Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, reforça a importância do acesso à informação e do cuidado humanizado, especialmente quando o tema se conecta ao mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher. A discussão sobre saúde feminina, gestação e parto seguro ganha destaque ao evidenciar a necessidade de acolhimento, respeito e autonomia para as mulheres. 
A doula, educadora perinatal e consultora de amamentação Yasmin Sisan, de 28 anos, atua há mais de seis anos no Rio de Janeiro e na região Leste Fluminense, acompanhando gestantes e promovendo informação acessível sobre parto e maternidade. Segundo ela, a comunicação tem um papel fundamental na desmistificação do trabalho das doulas e na construção de uma assistência mais humanizada.
Comunicação como ferramenta de informação
De acordo com Yasmin, o trabalho da doula vai muito além do momento do parto, começando ainda na preparação da gestante. Ela explica que a educação perinatal é uma etapa essencial e que a comunicação ajuda a esclarecer o verdadeiro papel da profissional no cuidado com as mulheres.
“A comunicação tem um papel fundamental para mostrar que a doula não substitui médicos ou parteiras, mas complementa o cuidado e fortalece a experiência da gestante”, afirma.
A profissional também destaca que ainda existe muita falta de informação sobre a atuação das doulas na sociedade. Segundo ela, muitas pessoas acreditam que o trabalho se resume ao momento do parto, quando, na verdade, envolve orientação, vínculo e acompanhamento ao longo de toda a gestação.
Redes sociais e empoderamento feminino
As redes sociais têm se tornado uma importante aliada na educação sobre saúde feminina. Yasmin conta que começou a falar sobre parto ainda antes de se tornar doula e acredita que a internet tem um papel essencial na disseminação de informações seguras e baseadas em evidências. 
“A internet cria uma rede de apoio e permite que mulheres tenham acesso a informações que ajudam a tomar decisões conscientes sobre seus corpos”, destaca.
Entre os principais mitos combatidos por ela está o medo do parto e o alto número de cesáreas no Brasil. Yasmin explica que existe uma construção cultural que associa o parto apenas à dor, quando ele pode ser uma experiência segura e transformadora. Ela também chama atenção para o número elevado de cesarianas, que ultrapassa os índices recomendados pela Organização Mundial da Saúde.
Informação acessível e cuidado humanizado
Para a doula, a informação acessível é uma das principais ferramentas de empoderamento das gestantes, principalmente em territórios periféricos, onde o acesso ao conhecimento ainda é limitado.
Segundo Yasmin, a comunicação humanizada é essencial no cuidado com a saúde da mulher, pois cada gestante carrega uma história, emoções e vulnerabilidades que precisam ser respeitadas.
“O parto deveria ser naturalmente humano, mas ainda precisamos lutar para que essa experiência seja realmente acolhedora e respeitosa”, pontua.
Ela também ressalta que construir confiança com o público em um tema sensível como o parto exige responsabilidade, consistência e escuta ativa, além de relatos reais de mulheres que foram impactadas positivamente pelo trabalho das doulas.
Dia Mundial da Saúde e a valorização da vida
No Dia Mundial da Saúde, Yasmin deixa uma mensagem de reflexão sobre a importância de repensar o cuidado com o nascimento e com a saúde das mulheres.
“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer. Precisamos valorizar a vida desde o início, com partos seguros, respeito e políticas públicas que garantam dignidade às mulheres”, afirma. 
A profissional reforça que ainda existem casos de violência obstétrica e negligência, mas que o avanço da informação e da comunicação humanizada tem fortalecido a luta por direitos e por uma assistência mais segura e acolhedora.



