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Agosto Lilás nas empresas: 7 ações para combater a violência

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Campanha de enfrentamento à violência contra a mulher pode ir além do uso da cor lilás e se transformar em uma agenda de prevenção, acolhimento e conscientização dentro das organizações

Agosto é marcado pelo Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Para as empresas, o período representa uma oportunidade de transformar um tema social urgente em ações concretas de informação, prevenção, acolhimento e construção de ambientes profissionais mais seguros.

Instituído nacionalmente pela Lei nº 14.448/2022, o Agosto Lilás busca estimular ações de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.

Mas como levar essa discussão para dentro das empresas?

A resposta está em entender que uma campanha corporativa não precisa se limitar a posts nas redes sociais, murais ou ao uso da cor lilás. Ela pode envolver lideranças, Recursos Humanos, comunicação interna, CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio), compliance e colaboradores em uma agenda de conscientização que permaneça durante todo o ano.

Por que as empresas precisam falar sobre isso?

Os números ajudam a dimensionar o problema. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, ouviu mais de 21 mil brasileiras em todos os estados e no Distrito Federal.

O levantamento aponta que 27% das brasileiras já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. O estudo também identificou que 34% das entrevistadas vivenciaram, nos 12 meses anteriores, pelo menos uma das situações de violência investigadas, incluindo violências físicas, psicológicas, morais, patrimoniais, sexuais e digitais.

Isso significa que, em uma organização com centenas de profissionais, é possível que existam mulheres convivendo com situações de violência sem que seus colegas ou gestores tenham conhecimento. E é justamente nesse ponto que a empresa pode exercer um papel importante: informar sem invadir, acolher sem julgar e criar caminhos seguros para quem precisa de ajuda.

7 ações que as empresas podem desenvolver durante o Agosto Lilás

  1. Realizar palestras e rodas de conversa

O primeiro passo é abrir espaço para informação. A empresa pode promover palestras, workshops ou rodas de conversa sobre violência contra a mulher, abordando temas como:

  • violência física e psicológica
  • violência patrimonial e sexual
  • relacionamentos abusivos
  • violência digital
  • assédio moral e sexual
  • sinais de alerta
  • direitos das mulheres
  • canais de denúncia e apoio

A proposta não é transformar o ambiente corporativo em um espaço de julgamento ou exposição de histórias pessoais. O objetivo é aumentar o conhecimento e reduzir o silêncio.

  1. Capacitar gestores e lideranças

Líderes são peças fundamentais na construção de uma cultura organizacional segura. Uma colaboradora pode procurar sua gestora, seu gestor ou alguém do RH antes de buscar qualquer outro canal. Por isso, essas pessoas precisam estar preparadas para ouvir e encaminhar situações delicadas. A capacitação pode abordar perguntas importantes:

Como acolher uma colaboradora?

O que fazer quando alguém relata uma situação de violência?

Quais atitudes devem ser evitadas?

Como preservar a confidencialidade?

Quando encaminhar para os canais especializados?

A Lei nº 14.457/2022 estabelece que empresas com Cipa adotem medidas de prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no ambiente de trabalho, incluindo ações de capacitação, orientação e sensibilização dos empregados e empregadas, no mínimo a cada 12 meses. Portanto, o Agosto Lilás pode ser um excelente momento para colocar esse treinamento em prática ou reforçar uma agenda já existente.

  1. Criar uma campanha de comunicação interna

A comunicação tem um papel poderoso na prevenção. Durante o mês, a empresa pode desenvolver uma campanha interna com conteúdos curtos e educativos em e-mails, murais, newsletters, intranet, grupos corporativos e reuniões. Uma campanha pode trabalhar um tema por semana:

Semana 1 — Violência: você sabe identificar?

Semana 2 — Violência psicológica também é violência

Semana 3 — Assédio no ambiente de trabalho

Semana 4 — Informação também é proteção

O importante é que a comunicação seja educativa, respeitosa e responsável, evitando transformar o sofrimento das mulheres em peça publicitária.

  1. Divulgar os canais de apoio

Uma das ações mais simples pode ser também uma das mais importantes: garantir que as mulheres saibam onde buscar ajuda. O Ligue 180, serviço oficial do Governo Federal, oferece orientação sobre direitos, legislação e serviços da rede de atendimento, além de receber e encaminhar denúncias. O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia. A empresa também pode divulgar seus canais internos de denúncia e explicar, de forma clara, como eles funcionam. Mais importante do que simplesmente disponibilizar um canal é garantir que os colaboradores saibam como acessá-lo e o que acontece depois que uma denúncia é registrada.

  1. Revisar políticas de prevenção ao assédio e à violência

O Agosto Lilás também pode ser utilizado como um momento de revisão. RH, CIPA, compliance e liderança podem avaliar:

  • O código de conduta está atualizado?
  • Os colaboradores conhecem as regras?
  • Existe um canal de denúncia acessível?
  • Há procedimentos claros para apuração?
  • As lideranças sabem como agir?
  • Os treinamentos estão sendo realizados?
  • A empresa comunica seus protocolos de forma clara?

A Lei nº 14.457/2022 determina, entre outras medidas, a inclusão de regras de conduta sobre assédio sexual e outras formas de violência nas normas internas, procedimentos para recebimento e acompanhamento de denúncias e ações de capacitação. Ou seja: Agosto pode ser o mês da conscientização, mas a prevenção precisa fazer parte da cultura da empresa durante todo o ano.

  1. Envolver os homens na conversa

Combater a violência contra a mulher não é uma responsabilidade exclusivamente feminina. Os homens também precisam participar da construção de ambientes mais respeitosos. A empresa pode promover conversas sobre:

  • respeito
  • consentimento
  • comportamento profissional
  • masculinidade
  • assédio
  • relacionamentos saudáveis
  • responsabilidade diante de situações de violência

O objetivo não é criar uma disputa entre homens e mulheres, mas estimular uma cultura em que todos compreendam seu papel na prevenção da violência.

  1. Transformar o Agosto Lilás em uma ação permanente

Talvez essa seja a ação mais importante. O dia 1º de setembro não precisa significar o fim da conversa. A empresa pode transformar as iniciativas de agosto em um programa permanente de promoção de um ambiente seguro para mulheres. Isso pode incluir:

treinamentos periódicos

capacitação de lideranças

campanhas educativas

fortalecimento dos canais de denúncia

pesquisas de clima organizacional

políticas de prevenção ao assédio

ações de equidade e diversidade

apoio a mulheres em situação de violência

A própria Lei nº 14.457/2022 prevê, entre as boas práticas relacionadas ao Selo Emprega + Mulher, iniciativas de promoção da igualdade, estímulo à liderança feminina e apoio a empregadas em situações de assédio ou violência física e psicológica.

Agosto Lilás também é uma pauta de liderança

Quando uma empresa decide falar sobre violência contra a mulher, ela está falando também sobre cultura organizacional. Uma organização pode ter excelentes produtos, tecnologia, processos e resultados. Mas a verdadeira transformação acontece quando as pessoas percebem que estão em um ambiente onde podem trabalhar com respeito e segurança. Por isso, a pergunta para as lideranças neste Agosto Lilás não deveria ser apenas: “O que vamos publicar sobre o Agosto Lilás?” Mas sim: “O que estamos fazendo para que nossas colaboradoras se sintam mais seguras dentro e fora do ambiente de trabalho?” Essa mudança de perspectiva transforma uma campanha pontual em uma estratégia de cultura.

Informação também é uma forma de proteção

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada em 2025, entrevistou 21.641 brasileiras com 16 anos ou mais, em todos os estados e DF, entre maio e julho. O estudo é probabilístico, com margem de erro média de 0,69 p.p., e representa a maior série histórica sobre o tema no país. Os principais resultados mostram que 27% das mulheres já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vidaDiante dessa realidade, empresas podem ocupar uma posição importante na rede de prevenção.

Não é responsabilidade da organização resolver sozinha um problema social complexo. Mas é responsabilidade dela construir um ambiente profissional baseado em respeito, informação, segurança e canais adequados de acolhimento e denúncia.

O Agosto Lilás pode começar com uma palestra. Pode continuar com uma campanha interna. Pode avançar para um treinamento de liderança. E pode terminar com uma mudança concreta na cultura organizacional. Porque, quando o assunto é violência contra a mulher, informação não é apenas comunicação. Informação também é proteção.

O Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher é gratuito e funciona 24 horas por dia. O canal oferece orientação sobre direitos e serviços da rede de atendimento e recebe denúncias relacionadas à violência contra as mulheres.

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