Desde 26 de maio de 2026, a fiscalização da NR-1 pode autuar empresas que não fazem a gestão dos riscos psicossociais do trabalho, como excesso de demandas, metas mal dimensionadas, pressão constante e assédio. Muitas empresas já entenderam que precisam fazer o diagnóstico desses riscos. A dúvida começa no passo seguinte: o que fazer com o resultado? Segundo o Panorama da Saúde Emocional do RH, da Flash, apenas 5% dos profissionais de RH dizem que suas empresas estão totalmente preparadas para a norma.
O caminho que a norma pede
A NR-1 trata o tema como gestão contínua, em três etapas:
- Diagnóstico. A empresa identifica e avalia os riscos psicossociais e os registra no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, esse levantamento costuma ser feito por empresas de segurança e saúde do trabalho ou por consultorias de psicologia especializadas. O Ministério do Trabalho não exige uma ferramenta específica, mas deixa claro que um questionário isolado não basta: os resultados precisam de análise técnica.
- Plano de ação. O nível de risco encontrado define o que fazer. Quando o risco é baixo, a empresa mantém as boas práticas e reavalia periodicamente, já que a norma prevê a revisão da avaliação de riscos pelo menos a cada dois anos. Quando o risco é moderado, é preciso monitorar. Quando é alto, é preciso intervir.
- A fiscalização verifica se as medidas foram aplicadas, se estão funcionando e se os trabalhadores participaram do processo.
O diagnóstico funciona como um check-up: é indispensável, mas ninguém melhora só por ter o resultado em mãos. O que muda a saúde é o cuidado que vem depois.
Muito além de evitar multa
Cumprir a norma evita autuação, mas o ganho maior está no que ela ajuda a prevenir. Em 2025, o INSS concedeu mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, alta de 15,7% em um ano. No mesmo período, a dor nas costas liderou, pela terceira vez seguida, a lista geral de afastamentos do país, com 237 mil casos. E antes de cada afastamento costuma existir um longo período em que o colaborador está presente, mas rende abaixo da sua capacidade. É dinheiro deixado na mesa, todos os dias.
Esses números não são problemas separados. Uma revisão de 47 estudos de longo prazo, conduzida por universidades australianas, mostrou que pressão excessiva e falta de apoio aumentam o risco de dores no corpo, e que a dor constante aumenta o desgaste emocional. Quem dorme mal, se movimenta pouco, se alimenta mal e trabalha com dor tem menos recursos para lidar com a pressão. Por isso, reduzir o risco psicossocial exige cuidar da pessoa por inteiro.
Onde o Método SP5 entra
Foi para a etapa que vem depois do diagnóstico que desenvolvemos, no Espaço Ana Gil, o Método SP5 (Saúde & Performance Empresarial). O programa atua no monitoramento e na intervenção dos riscos psicossociais, com acompanhamento contínuo e indicadores medidos ao longo de 9 a 12 meses. Seus cinco pilares, Ergonomia e Postura, Nutrição, Exercício Físico e Movimento, Sono Restaurador e Gestão do Estresse, trabalham juntos, porque o estresse físico e o estresse mental se alimentam. Assim, a empresa reúne evidências para a fiscalização e, ao mesmo tempo, previne afastamentos e recupera produtividade.
Na M Lopes Contabilidade, cliente do Método SP5, o acompanhamento começou pelo Pilar 1, de ergonomia e postura. Em dois meses, 78% dos colaboradores relataram melhora nas dores, a energia percebida no dia de trabalho aumentou 17% e a produtividade percebida, 10%, com 96% de presença nas atividades. A partir desses resultados, a empresa decidiu ampliar o programa.
O SP5 trabalha em conjunto com a consultoria de segurança do trabalho que a empresa já tem, transformando o resultado do diagnóstico em ação. Se a sua empresa já fez o diagnóstico, ou ainda vai fazer, e quer saber o que vem depois, vamos conversar. Em metodosp5.com.br, você conhece o método e agenda uma conversa estratégica com nossa equipe.
Ana Gil é fisioterapeuta, mestre em Educação Física pela UFRJ, com 24 anos de experiência e cinco especializações, entre elas Ergonomia e Gestão Empresarial. Fundadora do Espaço Ana Gil, clínica multidisciplinar de dor na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, é autora de quatro livros e idealizadora do Método SP5.
Referências
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1): Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais. Capítulo 1.5.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Perguntas e respostas sobre o Capítulo 1.5 da NR-1. Brasília, maio 2026.
BRASIL. Ministério da Previdência Social. Benefícios por incapacidade temporária concedidos em 2025. Dados divulgados em jan. 2026.
FLASH. Panorama da Saúde Emocional do RH. São Paulo, 2026.
JAMES, C.; DOLLARD, M.; OAKMAN, J. The link between workplace stressors and physical injury: summary report. Centre for Work Health and Safety (NSW), set. 2021.


