Por Daniel da Matta– Profissional de Educação Física, especialista em saúde e desempenho físico
Você sabia que o Brasil ocupa as primeiras posições no ranking mundial de obesidade infantil? Dados do IBGE e da OMS revelam um cenário preocupante: quase 1 em cada 3 crianças brasileiras está com excesso de peso. Mas a pergunta que precisamos nos fazer é: quem está falhando – as famílias, a escola ou a sociedade?
A obesidade começa cedo… e não é só estética
Engana-se quem pensa que uma criança “fofinha” é sinônimo de saúde. A obesidade infantil está associada a doenças que antes só víamos em adultos: diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, distúrbios hormonais e até depressão. E o mais alarmante: uma criança obesa tem até 80% de chance de se tornar um adulto obeso, com impactos duradouros na saúde e na autoestima.
O papel das escolas: muito além da aula de Educação Física
Apesar de a escola ser um dos principais ambientes de socialização e aprendizado, muitas instituições ainda tratam a Educação Física como uma aula “menor”, facilmente substituída por reforço de outras disciplinas. Mas a verdade é que atividade física regular na infância é tão importante quanto aprender a ler e escrever.
Além disso, o ambiente escolar precisa estimular hábitos saudáveis de forma integrada: desde a oferta de alimentos nutritivos na cantina até projetos interdisciplinares que abordem movimento, alimentação e saúde emocional.
E em casa? O exemplo ainda é a melhor escola
Nenhuma intervenção escolar será suficiente se, em casa, a criança convive com sedentarismo, alimentação ultraprocessada e telas 24h. O que muitas famílias não percebem é que o comportamento dos pais é o maior determinante da saúde dos filhos. Crianças imitam, absorvem e reproduzem padrões – inclusive os ruins.
Educação física e emocional: aliados contra o sedentarismo
O movimento não serve apenas para “gastar caloria”. Ele ensina limites, disciplina, socialização, autocuidado e prazer em se superar. Promover o gosto pela prática esportiva desde cedo é uma forma poderosa de prevenir doenças físicas e emocionais, além de fortalecer a autoestima.
O que podemos (e devemos) fazer?
-Pais e responsáveis: ofereçam uma rotina ativa, limitem o tempo de telas e deem o exemplo. Movimentem-se junto com seus filhos.
-Escolas: valorizem a Educação Física como parte do desenvolvimento integral, com aulas atrativas, inclusivas e regulares.
-Profissionais de saúde: trabalhem de forma interdisciplinar, com escuta ativa, sem julgamentos, acolhendo cada realidade familiar.
-Governo e sociedade: invistam em políticas públicas que promovam espaços seguros, alimentação saudável e educação para o movimento.
A obesidade infantil não é culpa da criança, nem resultado apenas de “comer demais”. É reflexo de um sistema que precisa urgentemente rever suas prioridades. Pais, escolas e profissionais precisam caminhar juntos, porque combater a obesidade infantil é, antes de tudo, proteger o futuro.
Saiba mais sobre conciliar a atividade física com sua rotina, acessando o perfil Daniel da Matta.



