No último ano, o diagnóstico de câncer colorretal da cantora Preta Gil trouxe à tona um tema urgente: o crescimento dos casos desse tipo de câncer em adultos jovens, principalmente no Brasil. Em meio à comoção e à coragem da artista em compartilhar sua luta, surgiu uma pergunta essencial: o quanto nossa alimentação pode influenciar no desenvolvimento — ou na prevenção — dessa doença?
O câncer colorretal é o terceiro mais comum no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2024), e sua incidência tem aumentado em pessoas com menos de 50 anos. A boa notícia é que ele é amplamente prevenível por meio de hábitos de vida saudáveis, principalmente pela alimentação.
Diversos estudos apontam que dietas ricas em carnes processadas, gorduras saturadas e pobres em fibras estão diretamente associadas ao aumento do risco de câncer colorretal. Em contrapartida, o consumo adequado de frutas, vegetais, grãos integrais e alimentos ricos em fibras e antioxidantes parece exercer um efeito protetor.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou em 2015 que carnes processadas, como salsichas, presuntos e embutidos em geral, foram classificadas como carcinogênicas para humanos (Grupo 1), ou seja, há evidência suficiente de que causam câncer, especialmente no intestino grosso. Já o consumo excessivo de carne vermelha foi classificado como provavelmente carcinogênico (Grupo 2A).
Além da dieta, outros fatores de risco incluem o sedentarismo, o excesso de peso, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Por outro lado, manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente e consumir alimentos ricos em fibras e compostos bioativos pode reduzir significativamente esse risco.
Alimentos como frutas vermelhas, vegetais verde-escuros, cúrcuma, azeite de oliva, castanhas e leguminosas possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a proteger as células do intestino contra danos que podem levar ao câncer. A ingestão adequada de fibras também promove uma microbiota intestinal saudável, que está diretamente ligada ao bom funcionamento do sistema imunológico e à prevenção de doenças.

No caso de Preta Gil, que corajosamente compartilhou os desafios do tratamento, seu relato pode servir de alerta e também de inspiração para mudanças. Ainda que nem todo câncer seja evitável, é importante lembrar que hábitos alimentares saudáveis são uma poderosa ferramenta de prevenção.
Portanto, falar sobre câncer é também falar sobre escolhas diárias. A alimentação não é uma garantia, mas é uma aliada poderosa. E nunca é tarde para começar a cuidar de si com mais atenção, carinho e consciência.
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Referências
• INCA – Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2024: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2024.
• World Health Organization. Q&A on the carcinogenicity of the consumption of red meat and processed meat. WHO, 2015.
• World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research. Diet, Nutrition, Physical Activity and Colorectal Cancer. 2018.
• Slavin, J. L. (2013). Fiber and Prebiotics: Mechanisms and Health Benefits. Nutrients, 5(4), 1417–1435.



